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Tem tempo? Tem que ter culpa!

por PSI Frasquilho, em 23.03.15

 

Funcionário 1:  O Serôdio é um tipo muito antiquado. Vejam lá que sai pontualmente às cinco. Arruma a mala, bem fora de moda por sinal, penteia a melena e despede-se:   “então fiquem em boas graças”. Ridiculo!

Funcionário 2: O tipo nunca aceita horas extraordinárias. Não tem mail, nem usa smartphone,  muito menos redes sociais.

Funcionário 3: Então não vêm que é um bicho raro. Diz que não prescinde de ir buscar a mulher ao emprego e ir com ela  tomar o lanche.

Funcionário 1: Outro dia o Sr. Lemos avisou-o que ele tinha de mudar de norte,  ao que ele respondeu que cumpria as suas obrigações mas que defendia o seu tempo privado. Que parvo, não admira que todos lhe passem à frente.

Funcionário 2: O pior é que o gajo não tem consciência, anda para aí satisfeito. Até parece que todos os dias vai a uma sociedade lá no bairro dele. Dizem que é bom a jogar xadrez. Irresponsável!

Funcionário 3: Nós aqui a darmos ao litro, sem tempo para nada, horas sobre horas e o cretino na boa. Sim, eu estou sempre ligado á empresa, atendo todas as chamadas, respondo a um mail qualquer que seja a hora... e ele nada. Há dias disse-me: eu não quero deixar de sentir que tenho tempo.

 

 Quando as pessoas incorporam a inevitabilidade de não terem tempo entra-se em alerta vermelho. Deixaram de se perceber como humanos e de atender ás necessidades humanas, uma delas o lazer. Estamos imersos numa cultura que valoriza o estar atarefado, a hiperprodutividade  a ganãncia. A cenoura está sempre á frente do burro e este corre corre para a mastigar, sem nunca o conseguir. Critica-se e culpabiliza-se os  que se mantêm íntegros e afirmativos na defesa da qualidade do viver.

O tempo pessoal e social são indispensáveis à vida, não podem ser sugados pelo tempo do trabalho.

 

ALERTA! Fatores psicossociais no topo das problemáticas de saúde ocupacional.www.alterstatus.com

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publicado às 17:28

Eu, os outros e o trabalho- luta diária

por PSI Frasquilho, em 18.03.15

Ecos da Consulta

Caso de mulher de 56 anos, funcionária numa Camara Municipal, com o pai com Alzheimer e a mãe com Linfoma ativo.

A Glória- já fui parar ao hospital. Não estou a aguentar. Deixei de dormir. Deixei de comer. Estou um farrapo.

O marido- ela já falou em desistir de viver.Não suporta a culpa de ter posto o pai num lar.

A Glória- esse ainda é o menos, ele já nem me conhecia. Pior é a minha mãe que precisa de tratamentos frequentes e consultas. Não me deixam acompanhá-la, no trabalho nem querem saber.

O marido- tenho sido eu a fechar a loja e a ir com a minha sogra. Deixo de ganhar mas…, vá lá que ainda posso.

A Glória- é de enlouquecer. No hospital muita vezes criticam ir o meu marido para os tratamentos em vez de eu que sou a filha.

O marido- pois, é muito dificil além de não termos qualquer apoio- quem trabalha não pode faltar para acompanhar tratamentos de familiares dependentes- ainda nos sujeitamos ao gozo.

Desfeito o quadro em que os papéis sociais se definiam pelo sexo, nada justifica a sobrecarga feminina ou mesmo o questionamento exclusivo da mulher quanto à compatibilidade entre família e trabalho. O problema do cuidado familiar diz respeito a todos. Mas para isso TODOS devem ter a possibilidada da CONCILIAÇÃO entre TRABALHO e VIDA FAMILIAR. E esta embora prevista em documentos não existe na vida real.

Como é no seu caso. Sente que no seu local de trabalho existem essas atitudes e politicas de boa conciliação?

 

Consulte o que diz a Segurança social sobre este tópico em

http://www4.seg-social.pt/documents/10152/13331/conciliacao_vida_profissional_familiar

ATENÇÂO!

Riscos Psicossociais uma das principais fontes de má saúde no trabalho

 

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publicado às 17:53

Riscos Psicossociais - saber a sério! Newsletter da CCS

por PSI Frasquilho, em 06.03.15

Para quem quer saber mais sobre os riscos psicossociais no trabalho aqui está a publicação de Janeiro 2015 da Confederação do Comércio e Serviços. Mais que pertinente.

 

Clique aqui para aceder ao documento

 

R Psic.JPG

 

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publicado às 15:16

Obrigatório guardar o xixi dentro

por PSI Frasquilho, em 04.03.15

xixi.JPG

 

3 – fazer xixi nas calças é normal

  • “tenho que pedir para ir ao w.c. e ainda me dizem ‘se podes aguentar um pouco’ eu digo ‘sim claro’, passado 10 min ligo ‘posso ir ao w.c.’ ‘sim podes’ com aquele tom ‘despacha-te, volta rápido’, já não digo para comer pois não tenho pausa e direito para comer”.  Anónimo
  • “pelos mesmos abusos passei, ao ponto de passar 6 horas numa caixa e dizerem-me que não posso ir à casa de banho porque não há ninguém para me substituir” 2yougo
  • “quando pedia para ir à casa de banho nunca podia por isto ou aquilo” Anónimo
  • “Vendo o meu trabalho há 23 anos como Operadora de Caixa num Hipermecado XXX. Sim, sempre pedi para ir ao WC e muitas das vezes ignorada indo á rebelia das chefias” Rosa Monteiro

 

Estes são comentários retirados duma página acerca do trabalhar num determinado local. Independentemente de ser aqui ou ali, é recorrente ouvir estas descrições de “estar acorrentado” a um posto de trabalho.Ora, isto NÃO É NORMAL, NÃO É ACEITÁVEL.

Qualquer organização de trabalho tem de prever pausas, e cumpri-las, mas não só: há que haver um plano B para as contingências. São seres humanos os que produzem trabalho, não são máquinas. Mesmo estas têm “flops e passamentos”. O Trabalho tem de atender às necessidades humanas, sem que isso signifique rebaldaria ou ineficiência. É, pelo contrário, um trabalho bem pensado e bem executado quele que mais frutos dará.

Nas consultas, uma doente com sintomas de urgência urinária e poliaquria (necessitava de ir depressa e frequentes vezes urinar) reportou-me que a obrigaram a usar fralda. Num outro caso comprovei que na função de caixa “não são permitidas aflições “vi a funcionária a defecar no posto enquanto aflita insistia num imediato fecho daquela linha de produção.

 

E então? Há que guardar o xixi e outros fluidos dentro? Sairá uma norma que obriga a colocar uma rolha em todos os orificios humanos? Ou o uso de fraldas será compulsório?

 

Por um trabalho menos louco! 

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publicado às 17:45


Na balança entre a tortura e o prazer, as perdas e os ganhos, a morte e a vida, eis uma análise coloquial . Os fatores psicossociais de risco à lupa da psiquiatria. Um SOS e uma partilha. Diga? Posso ajudar?

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