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Sangue novo ou calo velho?

por PSI Frasquilho, em 26.01.15

 

Em tempos de guerra por empregos quem escolher em termos de idade? Quem conservar: o jovem ou o maduro?

O potencial de idade é uma questão a ponderar. Em Portugal é comum que quem tenha mais de 35 anos (ou nem isso) experimente sérias dificuldades em  aceder a um novo trabalho (a não ser que, com mérito público,  tenha sido desafiado por algum head hunter). Por outro lado há quem se queixe de ter dinossauros anémicos que não produzem e de quem não se conseguem livrar.  A boa verdade é que por cá grassa um enorme estigma (ideias negativas feitas )  ligado à idade e que  prejudica tanto velhos como novos.

Que eu saiba é “ilegal” discriminar na base da idade, como o é na base da aparência ou do sexo, mas…lá que essa indecorosa injustiça existe não tenhamos dúvidas.

Tenho conhecimento de diversos casos de desempregados maiores, talentosos, capazes, com bons hábitos de trabalho, motivados  que são enxovalhados a cada entrevista: “ah, sabe, pretendemos um perfil dinâmico, alguém entusiástico com sangue novo, sem vícios”. Ou seja, aos 40, 50 anos estaremos “por decreto” empedernidos, apodrecidos, viciados?

Assim como conheço recém formados que desesperam por uma oportunidade de crescer profissionalmente,  e nas entrevistas a conversa gira em torno de “bom, você não tem experiência, falta-lhe calo”. Como desenvolver o que nos falta se não nos é facultada tal ocasião?

E ambos,  jovens e mais idosos partilham vexames, acumulam frustrações e,  (mal ! ) entram em confronto  com a outra geração. Melhor seria que percebessem que ambos são vítimas dum sistema laboral fechado, discriminatório, perverso, falhado, que promove o conflito ao invés da cooperação.

 Qualquer organização laboral sábia entenderia que tem de ter um naipe de trabalhadores de diversas gerações.  Só assim assegurará a inovação combinada com a sabedoria que acautela “corridas para o abismo”; garantirá a aprendizagem supervisionada que controla incidentes e riscos; fornecerá o exemplo e a modelagem tão importantes para a qualidade do trabalho. E,  salvaguardará a imagem de credibilidade, segurança e cultura da empresa o que é um valor.

Numa visão inteligente sabemos que cada pessoa é um manancial único, que há novos que intrinsecamente são “velhos”, e maiores que têm um tal capital intelectivo e comportamental que são máquinas de juventude. O que nos diz o conhecimento, em geral sobre vantagens e desvantagens de cada grupo etário?

 

O sangue novo é exuberância, mas…- em princípio chegam no pico das hormonas, ansiosos pela novidade, a quererem provar a si mesmo, e aos outros, que vão fazer toda a diferença. Têm muitas certezas e arriscam. Procuram desafios. Tendem a ser críticos com o status quo, Estarão mais acostumados a lidar com as tecnologias, terão mais formação académica e poderão não exigir tanta formação. Pensa-se que poderão ser melhor moldados mas tal colide com o seu psiquismo de acharem que sabem tudo e  até mais do que aqueles que os iriam treinar.  Têm sede de trabalho: aceitam salários inferiores e , no inicio, até se submetem a longos horários.

Mas isso não durará muito. Estão naturalmente implicados em “fazer crescer a sua vida pessoal”  afetiva, familiar, social e lúdica pelo que o trabalho é apenas mais um dos investimentos. Como a ambição está presente (o que é positivo) tendem a deixar facilmente um trabalho por outro, caso tal oportunidade surja.

Em termos psicopatologicos a sua marca será a ansiedade e são comuns transtornos de pânico.

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Os velhos são experiência, sabedoria, calo, mas… Usualmente formados na escola do trabalho os mais velhos terão menos formação académica mas aprenderam os segredos e as artes do ofício. Resolvem problemas com subtileza e têm mais facilidade em cooperar com colegas. São motivados pelo brio pessoal  e não estão à espera de provar nada. Se não se sentem valorizados, ou se não há desafios motivadores,  podem reagir com retaliações passivas e fazerem-se de   acomodados. Usualmente participam nas formações, acatam o treino mas os hábitos são difíceis de mudar. Tendem a dedicar-se mais ao trabalho, são mais cuidadosos nos detalhes e até podem investir  tempo adicional se sentirem o projeto como seu.   As condutas, em geral, são de menor risco, mais responsáveis. A energia vital será naturalmente menor, porém não têm tantas solicitações externas ( família, diversões, carreiras a construir)  pelo que esta poderá ser mais canalizada para o trabalho. Quando novas tecnologias são introduzidas podem ter mais dificuldade e levar mais tempo a aprender. Contudo têm mais habilidade em lidar e a gerir a comunicação com pessoas.

Em termos psicopatológicos, quando adoecem devido a riscos psicossociais a sua marca será mais a depressão. 

Sendo todos necessários todos têm os seus prós.  E , claro á 4º feira todos se assemelham.

ALERTA. Riscos psicossociais no topo dos problemas de saúde ocupacional.

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publicado às 16:55



Na balança entre a tortura e o prazer, as perdas e os ganhos, a morte e a vida, eis uma análise coloquial . Os fatores psicossociais de risco à lupa da psiquiatria. Um SOS e uma partilha. Diga? Posso ajudar?

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