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Naufragos do Capital

por PSI Frasquilho, em 20.05.15

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Em1867 Karl Marx publicou o primieiro de um conjunto de 5 livros criticos da economia capitalista- agregados como o CAPITAL. Postula que o valor de uma mercadoria é criado pelo trabalho socialmente necessário à sua produção, e medido pelo tempo de trabalho socialmente necessário à sua produção.  Introduz a ideia de que o trabalho contido na mercadoria possui o caráter duplo de ser trabalho útil (criador de valor de uso) e trabalho abstrato (criador de valor). A compra e venda da força de trabalho é a base do capital, objetivada nas mais valias, na progressiva sua acumulação dentro dum grupo -os capitalistas- geradora antagonismo de classes que desembocaria numa revolução socialista igualitária. Já no século XXI, o francês Thomas Piketty diz que o crescimento económico, a difusão do conhecimento, a tecnologia impediram que fosse concretizado o cenário apocalíptico previsto por Karl Marx  mas os seus estudos demonstram que o capitalismo tende a criar um círculo vicioso de desigualdade, pois, no longo prazo, a taxa de retorno sobre os ativos é maior que o ritmo do crescimento económico, o que se traduz numa concentração cada vez maior da riqueza. No período atual, em países como França, Alemanha, Grã-Bretanha e Itália, os 10% mais ricos que detêm aproximadamente 60% da riqueza nacional. E, invariavelmente, os 50% mais pobres possuem menos de 10% da riqueza nacional. Piketty aponta que o crescimento das desigualdades contribuiu para a instabilidade financeira no mundo. Com o crescimento da desigualdade, houve estagnação do poder de compra, o que impulsionou o financiamento via hipotecas de imóveis. Entre 1977-2007, nos EUA os 1% mais ricos absorveram 60% do crescimento da renda da nação e  hoje um indivíduo super-rico possui mais riqueza que um país inteiro. Uma situação de desigualdade extrema pode levar a um descontentamento geral e até ameaçar os valores democráticos.

Muitos economistas partilham a concepção teórica de que a desigualdade é uma consequência das diferentes aptidões e conhecimentos dos indivíduos. E que a educação formal e o mérito permitem a ascensão individual e a convergência distributiva. Na mesma linha, a lei de oferta e de procura, a mobilidade de capital e de trabalho levariam à maior igualdade. Além disso, com mais conhecimento difundido, a participação do trabalho aumentaria a poupança, que seria transformada em capital. Ou seja, na contemporaneidade, a informação seria uma força de convergência de renda.

Contudo, essa visão é ilusória para o autor, o seu estudo sinaliza que as forças de divergência são mais fortes do que de convergência e as últimas são mais fracas do que se imagina. Além disso, há pouca evidência de aumento da participação do trabalho no produto. De outro lado, os super salários cada vez  se afastam mais  dos salários da população geral, mesmo dos daquelas profissões mais exigentes e com maior valor social (juizes, médicos, professores ...).

Globalmente assiste-se a uma tremenda desvalorização do trabalho e do trabalhador. O mais preocupante é que se visualiza ser o próprio trabalhador espoliado, escravizado por que sujeito ao medo que é co autor da sua desdita: não critica, não participa, não exige condições dignas de trabalho e existência,  está drogado pelo consumismo e, sem ética coletiva, lança-se numa competição mortifera com os seus pares.

Talvez o cenário de luta de Marx não se tenha concretizado porque  os movimentos socialistas a que deu origem  viabilizaram os direitos sociais e a melhor equidade. E agora? Naufragos do capital, afogamo-nos?

 

 

 

 

 

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publicado às 14:58



Na balança entre a tortura e o prazer, as perdas e os ganhos, a morte e a vida, eis uma análise coloquial . Os fatores psicossociais de risco à lupa da psiquiatria. Um SOS e uma partilha. Diga? Posso ajudar?

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